A subvenção Finep da chamada Mais Inovação Brasil Subvenção Econômica passou de R$ 300 milhões para R$ 450 milhões. O anúncio foi feito em 16 de outubro de 2026, no Recife, pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e pela Finep. Os recursos são não reembolsáveis e vão financiar 114 projetos de inovação de empresas do Norte, do Nordeste e do Centro-Oeste.
Este texto resume o que foi anunciado, mostra o que os números revelam sobre a concorrência e explica como a subvenção funciona, quem pode participar e como se preparar para as próximas chamadas.
| Chamada | Mais Inovação Brasil Subvenção Econômica, segunda rodada, lançada em fevereiro de 2026 |
|---|---|
| Recursos | R$ 300 milhões iniciais + R$ 150 milhões de suplementação = R$ 450 milhões, não reembolsáveis |
| Projetos contemplados | 114: 78 no orçamento original e 36 incluídos com a suplementação |
| Regiões | Norte, Nordeste e Centro-Oeste |
| Valor por projeto | De R$ 2 milhões a R$ 5 milhões; média de R$ 3,8 milhões entre os aprovados |
| Propostas | 587 recebidas e 400 habilitadas para avaliação |
| Perfil | 75% dos projetos aprovados inicialmente são de micro e pequenas empresas; 44 empresas recebem subvenção da Finep pela primeira vez |
O que foi anunciado
Em 16 de outubro de 2026, a ministra Luciana Santos, do MCTI, divulgou no auditório da Sudene, no Recife, o resultado da segunda rodada da chamada Mais Inovação Brasil Subvenção Econômica, operada pela Finep. O edital destinava originalmente R$ 300 milhões a empresas de todos os portes das três regiões, e esse valor cobria 78 projetos.
No mesmo evento, a ministra anunciou mais R$ 150 milhões para a chamada, um aumento de 50%. A suplementação vai cobrir 36 projetos que já tinham sido analisados e recomendados para contratação, mas tinham ficado fora do orçamento original. Com isso, o total de projetos chega a 114.
Segundo a Finep, todos os projetos estão enquadrados em ao menos uma das missões da Nova Indústria Brasil (NIB), a política industrial do governo federal. A avaliação foi feita por técnicos da Finep em parceria com analistas do Sebrae e das superintendências regionais de desenvolvimento: Sudene, Sudam e Sudeco.
Como os recursos se dividem entre as regiões
A divisão original dos R$ 300 milhões priorizou o Nordeste. A Finep não informou, no comunicado, como os R$ 150 milhões adicionais serão distribuídos entre as regiões.
| Região | Recursos | Participação |
|---|---|---|
| Nordeste | R$ 150 milhões | 50% |
| Centro-Oeste | R$ 100 milhões | 33% |
| Norte | R$ 50 milhões | 17% |
| Total | R$ 300 milhões | 100% |
As empresas contempladas estão em 35 cidades. Sete delas recebem uma chamada da Finep pela primeira vez: Inhumas (GO), Santa Bárbara do Pará (PA), Salgueiro (PE), Campo Novo do Parecis (MT), Luís Eduardo Magalhães (BA), Goiana (PE) e Agrestina (PE).
O que os números mostram sobre a concorrência
Os dados da Finep permitem medir quão disputada foi a chamada. Os cálculos abaixo são da Alora, feitos sobre os números oficiais.
- Cerca de 1 em cada 5 propostas foi contemplada. Foram 114 projetos entre 587 propostas recebidas, ou 19,4%. Entre as 400 propostas habilitadas para avaliação, a taxa sobe para 28,5%.
- Uma em cada três propostas parou na habilitação. Das 587 propostas, 187 não chegaram à avaliação técnica, o que indica falhas de documentação ou de enquadramento antes mesmo do mérito do projeto.
- Pequenas empresas dominam o resultado. Os 75% de micro e pequenas empresas entre os 78 projetos iniciais equivalem a cerca de 58 projetos.
- Há espaço para quem nunca captou. As 44 empresas que recebem subvenção da Finep pela primeira vez representam 56% das aprovadas na etapa inicial.
- Parceria com a academia pesa. Os projetos envolvem 36 instituições de ciência e tecnologia, e a Finep espera que 15% do valor da chamada seja aplicado nessas parcerias. Isso equivale a cerca de R$ 45 milhões sobre o orçamento original ou R$ 67,5 milhões sobre o total ampliado.
O valor médio dos projetos iniciais foi de R$ 3,8 milhões. Se a suplementação for usada por completo nos 36 projetos adicionais, a média desses projetos fica perto de R$ 4,2 milhões. É uma hipótese: a Finep não divulgou o valor de cada projeto adicional.
O que é a subvenção econômica da Finep
A subvenção econômica é dinheiro público não reembolsável para empresas desenvolverem produtos, serviços ou processos inovadores. Ela foi criada pela Lei de Inovação, a Lei 10.973/2004, e a Finep é a responsável por operá-la.
Não reembolsável significa que a empresa não devolve o recurso, desde que execute o projeto aprovado e preste contas conforme o contrato. Em troca, a empresa assume uma contrapartida, com recursos próprios, cujo percentual é definido em cada edital.
A subvenção é voltada a projetos com risco tecnológico: iniciativas em que ainda não se sabe se a tecnologia vai funcionar como esperado. É por isso que o Estado divide esse risco com a empresa. Compra de máquinas sem desenvolvimento tecnológico associado, por exemplo, não é o foco desse instrumento.
Subvenção ou crédito da Finep: qual a diferença
A Finep tem duas grandes famílias de apoio a empresas: a subvenção, não reembolsável, e o crédito, reembolsável. Elas servem a momentos diferentes da empresa.
| Aspecto | Subvenção econômica | Crédito da Finep |
|---|---|---|
| Devolução | Não há, se o projeto for executado e as contas forem aprovadas | Sim, com juros |
| Como acessar | Chamadas públicas competitivas, com prazo e orçamento definidos | Linhas contínuas: crédito direto para médias e grandes empresas e crédito operado por agentes, como bancos e agências de fomento, para micro, pequenas e médias |
| Contrapartida | Obrigatória, com percentual definido no edital | Depende da linha e do projeto |
| Correção | Não se aplica | Desde a Lei 14.554/2023, os financiamentos reembolsáveis usam a TR no lugar da TJLP |
| Melhor uso | Desenvolvimento de tecnologia com incerteza técnica | Plano de inovação mais amplo, inclusive implantação e escala |
Para empresas que ficaram de fora desta chamada, ou que não têm um projeto de risco tecnológico pronto, o crédito para inovação é um caminho que não depende do calendário de editais. No Nordeste, por exemplo, o Banco do Nordeste opera recursos da Finep pela linha BNB-Finep Inovacred.
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O anúncio de 16 de outubro é de resultado: não há inscrições abertas nesta chamada. As próximas oportunidades são publicadas na página de oportunidades da Finep. O resultado desta rodada aponta o que costuma pesar na seleção:
- Projeto com risco tecnológico claro. Descreva o que ainda é incerto na tecnologia e como o projeto vai resolver essa incerteza.
- Aderência a uma política pública. Todos os aprovados nesta rodada estavam enquadrados em missões da Nova Indústria Brasil.
- Parceria com instituição de ciência e tecnologia. Universidades e institutos de pesquisa aparecem em boa parte dos projetos e somam técnica à proposta.
- Documentação e enquadramento sem falhas. Quase um terço das propostas desta rodada parou antes da avaliação técnica.
- Capacidade de contrapartida e de execução. A empresa precisa mostrar que tem recursos próprios, equipe e organização financeira para executar e prestar contas.
Glossário
- Subvenção econômica
- Recurso público não reembolsável concedido a empresas para projetos de inovação, previsto na Lei de Inovação (Lei 10.973/2004) e operado pela Finep.
- Finep
- Financiadora de Estudos e Projetos, empresa pública vinculada ao MCTI que financia pesquisa, desenvolvimento e inovação com recursos reembolsáveis e não reembolsáveis.
- Mais Inovação Brasil
- Nome do programa de apoio à inovação do governo federal ao qual pertence a chamada de subvenção econômica anunciada em outubro de 2026.
- Nova Indústria Brasil (NIB)
- Política industrial do governo federal organizada em missões; todos os projetos aprovados nesta chamada se enquadram em ao menos uma delas.
- Risco tecnológico
- Incerteza sobre a viabilidade técnica de uma tecnologia em desenvolvimento; é o tipo de risco que a subvenção econômica divide com a empresa.
- ICT
- Instituição de Ciência e Tecnologia, como universidades e institutos de pesquisa, que pode atuar como parceira técnica de empresas em projetos de inovação.
- Contrapartida
- Parte do projeto que a empresa financia com recursos próprios, em percentual definido pelo edital.
Perguntas frequentes
O que a Finep anunciou em outubro de 2026?
Em 16 de outubro de 2026, o MCTI e a Finep divulgaram o resultado da segunda rodada da chamada Mais Inovação Brasil Subvenção Econômica e ampliaram os recursos de R$ 300 milhões para R$ 450 milhões. O valor não reembolsável vai financiar 114 projetos de inovação de empresas do Norte, do Nordeste e do Centro-Oeste.
Quantas empresas vão receber a subvenção da Finep?
São 114 projetos: 78 cobertos pelo orçamento original de R$ 300 milhões e 36 incluídos com a suplementação de R$ 150 milhões. Os 36 projetos adicionais já tinham sido analisados e recomendados para contratação.
Quanto cada projeto pode receber?
Os limites da chamada iam de R$ 2 milhões a R$ 5 milhões por proposta. O valor médio dos projetos aprovados foi de R$ 3,8 milhões.
Quais regiões foram contempladas?
Norte, Nordeste e Centro-Oeste. No orçamento original, o Nordeste recebeu R$ 150 milhões, o Centro-Oeste R$ 100 milhões e o Norte R$ 50 milhões. A divisão dos R$ 150 milhões adicionais não foi detalhada no comunicado da Finep.
A subvenção da Finep precisa ser devolvida?
Não. A subvenção econômica é não reembolsável, desde que a empresa execute o projeto aprovado e preste contas conforme o contrato. A empresa entra com uma contrapartida de recursos próprios, em percentual definido no edital.
Ainda é possível se inscrever nessa chamada?
Não. O anúncio de 16 de outubro de 2026 é o resultado de uma chamada lançada em fevereiro de 2026. Novas chamadas são publicadas na página de oportunidades da Finep.
Microempresas podem receber subvenção da Finep?
Sim. Nesta chamada, 75% dos projetos aprovados inicialmente são de microempresas, com faturamento abaixo de R$ 1 milhão, e de empresas de pequeno porte, com faturamento de R$ 1 milhão a R$ 4,8 milhões. A chamada era aberta a empresas de todos os portes das três regiões.
Qual a diferença entre subvenção e crédito da Finep?
A subvenção é não reembolsável, acessada por chamadas públicas competitivas e voltada a projetos com risco tecnológico. O crédito é reembolsável, com juros, acessado por linhas contínuas, diretamente na Finep ou por bancos e agências de fomento parceiros, e serve a planos de inovação mais amplos.
Fontes
- Finep: MCTI e Finep anunciam aporte de R$ 450 milhões para 114 empresas das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste (16 de outubro de 2026)
- Finep: página de oportunidades
Sobre o autor
Rafael de Oliveira Luciano é sócio do Grupo Alora e economista registrado no CORECON-RS (nº 9238), especialista em mercado de crédito e captação de recursos para empresas.
Sobre a Alora
A Alora Capital é uma empresa do Grupo Alora especializada em captação de recursos e crédito empresarial. Em 15 anos de atuação, atendeu mais de 180 empresas e intermediou mais de R$ 1 bilhão em recursos, entre financiamentos, incentivos fiscais e créditos tributários.
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